Mostrando postagens com marcador Ana Jácomo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Jácomo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As noites da minha infância, no quintal lá de casa, eram feitas também da presença de vaga-lumes, principalmente quando faltava luz e as lâmpadas mudas dos postes da rua colaboravam para torná-los ainda mais nítidos. Eu achava aquilo tão mágico que toda vez que apareciam os meus olhos faiscavam de alegria e curiosidade como se fosse a primeira em que eu apreciava.

Não foram poucas as noites, confesso, em que tentei segurar um deles, doida para saber de perto do que eram feitos. Tantas tentativas, um dia eu consegui: só vi um vaga-lume sem luz, ainda que vaga, morto, na minha mão. Eu fiquei frustradíssima e envergonhada pelo meu gesto, nunca mais tentei prender nenhum. Passei a apreciá-los sem querer desvendar-lhes o mistério. Eram belos e eu não precisava prendê-los para admirá-los e levá-los comigo.

Geralmente, as belezas só acontecem, só dizem, só luzem, só florescem, com liberdade. Tentar prendê-las é amordaçar sua mágica.
Ana Jácomo


"Tinha um jeito singular de fechar os olhos quando experimentava emoção bonita, coisa de segundos e coisa imensa. Era como se os olhos quisessem segurar a lindeza do instante um bocadinho, o suficiente para levá-lo até o lugar onde o seu sabor nunca mais poderia ser perdido. Eu via, olhos do coração abertos, e nunca mais perdi de vista o sabor desse detalhe. Porque quem ama vê miudezas com olhar suficiente pra nunca mais se perderem."(Ana Jácomo)